
CALENDÁRIO
A Fifa finalmente divulgará nesta quinta-feira o calendário oficial de jogos da Copa do Mundo de 2014. Mas, depois de quatro anos de disputas, o plano atende mais a interesses políticos e comerciais que propriamente esportivos. Para o anúncio, programado para começar às 13h20 (horário de Brasília), em Zurique, na Suíça, nada de craques das seleções ou ex-jogadores. Apenas políticos, cartolas e patrocinadores.
Foram 57 calendários feitos até chegar ao formato final, a ser divulgado nesta quinta-feira, com as sedes de todos os jogos. A CBF e a Fifa tinham de adequar as promessas políticas a um organograma que atendesse ao formato também das televisões e interesses comerciais.
São Paulo ficará com a abertura da Copa, depois de muito impasse para a construção de um novo estádio. Brasília, por sua vez, terá a abertura da Copa das Confederações, em 2013, como prêmio de consolação por não ter o jogo inaugural do Mundial.
O Nordeste também foi valorizado. Assim, um terço dos jogos da Copa deve ser realizado na região. Enquanto isso, o Maracanã está fora de todos os prazos. Mas, por ser o Rio, a Fifa faz vistas grossas a todos os problemas do estádio e a cidade terá a final do Mundial.
O evento na Suíça contará com a presença de dois governadores, Agnelo Queiroz de Brasília e de Antônio Anastasia, de Minas.
Fifa ainda reclama da morosidade do Governo
Zurique (AE) - O anúncio do calendário de jogos do Mundial de 2014, marcado para acontecer hoje, em Zurique, na Suíça, está sendo ofuscado por uma guerra aberta entre a Fifa e o Palácio do Planalto, a ponto de até os organizadores da conturbada Copa de 2010, na África do Sul, passarem a atacar o comportamento da presidente Dilma Rousseff. O principal motivo da crise é a Lei Geral da Copa, que, no entender da entidade, já deveria ter sido aprovada pelo Congresso.

Na Fifa, cartolas não negam que o comportamento do governo brasileiro criam a percepção de que não há como confiar na administração. O que mais preocupa a entidade é que nem mesmo o encontro entre o secretário-geral Jérôme Valcke e Dilma, há duas semanas, em Bruxelas, e nem uma reunião entre advogados na semana passada, em Brasília, foi suficiente para superar o impasse.
Valcke saiu da reunião com a convicção de que Dilma teria entendido que a Fifa iria manter suas exigências. Mas foi pego de surpresa pela declaração da presidente, durante visita à África do Sul, indicando que não mudaria nada que hoje beneficia a população brasileira.
Ainda que a declaração não queira dizer que ela não faria alterações na Lei Geral da Copa - embora exista o temor de que os compromissos assumidos possam ser revistos novamente -, a Fifa considera que o governo está "jogando para o público" e usando a entidade para ganhar popularidade interna ao ameaçar não ceder.
A reportagem recebeu confirmações da Fifa de que, por lei, a entidade tem como tirar a Copa do Brasil até meados de 2012, sem pagar indenização. Se sentir que terá prejuízo com o evento, poderia optar por mudar de sede. Mas dificilmente essa possibilidade vai ser usada.
A decisão de Dilma de assumir o comando do processo da Copa, retirando os poderes do ministro do Esporte, Orlando Silva, foi considerada positiva, mas, segundo funcionários do alto escalão da Fifa, não acaba com a crise. Ao contrário, seria só o começo de uma nova etapa de relacionamento.
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